Economia brasileira: cenários e perspectivas
Na palestra de abertura do Congresso Consumidor Moderno de Crédito, Cobrança e Meios de Pagamento, Maílson da Nóbrega, economista e sócio diretor da Tendências Consultoria, falou sobre “O crédito e a economia brasileira em 2009: cenários e perspectivas”. “A idéia é dar uma visão do Brasil; a evolução da crise e como chegou ao país, além de algumas visões e indicadores para este ano”, iniciou.
Segundo Nóbrega, a crise não traz risco de colapso do sistema financeiro, pois todos os governos têm agido para preservá-lo. Porém, como resultado da crise, os países ricos viverão uma longa recessão. “A discussão é se vamos ter recessão ou depressão nos moldes da que aconteceu nos anos 30, mas acredito que essa segunda possibilidade não vai se tornar real”, afirmou.
Para o economista já há sinais de que a crise caminha para o fundo do poço. “Quando a crise estacionar, se estabilizar, a roda da economia volta a girar”, comentou. “As apostas são de que a economia americana volte a crescer do fim deste ano para o começo do que vem”, acrescentou.
Na atual conjuntura, os países emergentes, que movimentam metade da economia mundial, adquirem importância sistêmica. “Os Estados Unidos não vão declinar como dizem alguns, porque o país é detentor de conhecimento. Por exemplo, 18 das maiores universidades estão lá. O que acontece agora é a emergência de outros países, como Brasil, China, Índia, África do Sul, Indonésia”, disse. “A forma de discutir o mundo e o poder dos países em estabelecer princípios e decisões não está mais a cargo de poucas nações - como era com o G7. Agora, é com o G20 e esse desenho ainda vai mudar, porque países como Holanda e Espanha também deveriam estar nesse grupo. E o Brasil emerge dentro desses emergentes como um ator global”, completou.
A crise no Brasil chegou por meio do crédito, a confiança caiu, assim como o comércio e gerou forte desaceleração da atividade econômica no quarto trimestre de 2008. “Não era uma marolinha como o Lula falou”, disse.
Segundo análise do economista, o Banco Central tem caminhado na direção certa, enquanto o governo está confuso. O desafio é preparar o Brasil para a nova realidade. “O importante é preservar a estabilidade macroeconômica e o desafio é saber como tornar o país mais competitivo”, comentou.
Uma vantagem do Brasil em relação a essa crise é sua resistência: o sistema financeiro é mais sólido e sofisticado, o câmbio é flutuante, o Banco Central é autônomo, o país gera superávit primário e a inflação é baixa e está sob controle. “É um cenário oposto ao que o Brasil viveu em crises passadas”.
Além disso, a situação externa é confortável: as reservas internacionais são superiores à dívida externa, há um déficit sustentável em conta corrente e o país é grau de investimento.
Para este ano, Nóbrega prevê um período de ajuste e de maiores incertezas. “Mas vamos ter crescimento do PIB. A Tendências Consultoria projeta 0,3%”, afirmou.
A taxa de câmbio vai se valorizar ao longo do ano, ficando em torno de 2,10 (R$ - US$). A inflação deve declinar e ficar abaixo da meta, em 3,5%. Também há espaço para uma maior queda de juros e o crédito deve se normalizar no segundo semestre. “E neste ano, no primeiro semestre, a crise atinge a pior fase e chega ao fundo do poço”, apontou Nóbrega.
Caso aconteça uma piora da crise de crédito nos Estados Unidos, a recessão se prolongará, gerando ações protecionistas. No Brasil, o risco de um agravamento da crise pode levar a um aumento de pressões políticas por medidas inconseqüentes. “Esses dois riscos existem, mas tem baixa probabilidade de acontecer”, apontou.
Para o economista, o país está num processo de transformação que o leva a um futuro promissor. “E os sinais desse futuro já estão aqui”, disse. “O Brasil tem muitos problemas a resolver, o período de transição, de mudanças, é longo, mas se olharmos para o que a nação já conquistou - como a democracia consolidada, o judiciário independente, instituições econômicas fortes, uma sociedade intolerante à inflação, uma imprensa livre e independente e um governo sob controle -, dá pra melhorar”, finalizou.
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Ivo Luiz Vieitas Jr, Hipercard
Ricardo Terenzi, Banco Itaú
O CCMCC... é da maior relevância... O Brasil tem desempenhado muito bem suas atividades em reagir a essa crise, e você fazer eventos como esse, que tragam essa discussão, reflexão, esse olhar diferenciado, para fazer disso um processo de aprendizado muito forte.
Ricardo Terenzi
Diretor de Relações Institucionais do Banco Itaú
Roberto Medeiros, Redecard
Adalberto Savioli, Acrefi
Congressos como este [o CCMCC], neste momento em que o mercado tem de se remodelar, são importantes para a discussão de ideias, para rever todo o processo de crédito e de cobrança e de meios de pagamento. O Brasil tem uma posição privilegiada, tem reservas bancárias e uma série de instrumentos para sair mais rapidamente da crise.
Adalberto Savioli
Presidente da Acrefi



