O milagre social
Marcelo Neri, da FGV, explica que País vive boom econômico acompanhado da diminuição da desigualdade entre classes
Fazer o bolo crescer para depois dividi-lo. Esse era o lema dos militares durante o milagre econômico, na década de 70. O problema é que o bolo cresceu, mas não foi fatiado igualmente. Pois isso é coisa do passado, como indicou Marcelo Neri, chefe de políticas sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV), nesta quarta-feira (28/04) durante o CCMCC (Congresso Consumidor Moderno de Crédito, Cobrança e Meios de Pagamento).
“Crescemos menos que a China, mas com a desigualdade em queda”, observa. Neri aponta que entre 2003 e 2008 cerca de 20 milhões de brasileiros saíram da pobreza (classe E) e 32 milhões entraram nas faixas A, B e C. Essa última, aliás, fica com a maior parcela da renda total gerada no País – 45,75%, à frente da AB, que detém 43,2%. É a nova classe dominante.
O maior crescimento de brasileiros com mais dinheiro no bolso se dá nas regiões Norte e Nordeste, sobretudo no Maranhão e no Piauí, onde a população incluída na classe C aumentou mais de 70% nos cinco anos avaliados. No período, a renda dos 10% mais pobres cresceu 70%. “Os pobres do Brasil vivem como se estivessem na China”, ressalta Neri.
Ainda assim, há um longo caminho a percorrer. Mesmo com os avanços, o Brasil é o décimo país mais desigual do mundo. “A única vantagem de ser pouco desenvolvido é poder crescer mais”, atesta. Agora, inicia-se um novo ciclo de crescimento. Se entre 2010 e 2014 o Brasil repetir o período de 2003 a 2008, teremos:
- uma classe E 50,3% menor, representando 8% da população;
- uma classe D 18,2% menor, representando 19,9% da população;
- a classe C vai aumentar 14,75%, passando para 56,5% da população;
- a classe AB aumentará 50,3%, passando para 15,7% da população;
Isso significa que 14,5 milhões de pessoas sairão da pobreza e 36,1 milhões vão entrar nas classes A, B e C. “Se trabalharmos isso bem sem atrapalhar o mercado, viveremos um milagre social”, conclui.
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CCMCC 2010
Depoimentos
Roberto Medeiros, Redecard
Gina Marques, Contax
O conteúdo do CCMCC está contextualizado e bem diversificado. Além disso, é uma ótima oportunidade em termos de relacionamento e para a troca de idéias. Isto é importante, principalmente para nós que estamos em um mercado que está constantemente mudando.
Gina Marques
Diretora de recuperação de crédito e cobrança da Contax
Fernando Brasileiro, Cibrasec
O CCMCC é uma chance das pessoas trocarem ideias e perspectivas a respeito de um cenário econômico instável, que a princípio é uma situação atípica. Com a mudança do mercado e do próprio hábito de consumo, da forma de financiar o consumidor, é preciso revistar as práticas e trocar experiências com outros setores da economia.
Fernando Brasileiro
Diretor-presidente da Cibrasec
Carlos Louro, Wittel
Nós fazemos parte do primeiro grupo de empresas que apoiou essa iniciativa. O evento [CCMCC] nunca foi tão atual como neste ano, momento da necessidade da política mais adequada da concessão de crédito e da eventual cobrança, feita de uma forma que manter o relacionamento com o cliente se torna cada vez mais presente. E acredito que isso seja sem dúvida uma das razões do sucesso do evento.
Diretor Superintendente da Wittel
Eduardo Ferreira, Microinvest
Crédito e sistema financeiro são assuntos muito importantes, porque é o motor da economia como um todo. E em momento de transição, como este que estamos vivendo, faz com que ficássemos de olho em um sistema de crédito mais consciente; por isso discutir esse assunto agora é muito importante.
Eduardo Ferreira
Superintendente da Microinvest





